Por Dr. Luiz A. Gil Jr – Geriatra
Viajei recentemente e algo me chamou muita atenção — mais do que paisagens, gastronomia ou qualquer roteiro: as pessoas simplesmente não sabem mais viver sem o celular.
Casais jantando em silêncio, cada um rolando a própria tela. Pais empurrando o carrinho enquanto assistem vídeos. Filhos fotografando tudo, mas olhando quase nada. Grupos de amigos que não conversam… apenas registram. Recentemente, uma paciente demenciada que olhava a tela e só rolava – ela não respondia sequer uma mensagem, mas tinha em mente o automatismo de rolar a tela.
A sensação é que, sem perceber, colocamos um objeto entre nós. E ele acabou tomando espaço — às vezes, até o lugar da vida real.
O celular virou o mediador da conversa, o filtro da experiência, a régua de validação (“se não postei, aconteceu?”), a necessidade urgente de resolver algo não urgente, a distração automática sempre que há um segundo de silêncio.
E, aos poucos, estamos nos afastando. Do outro. De nós mesmos. Do presente.
Não é sobre demonizar tecnologia — ela nos ajudou, aproximou, facilitou. Mas há algo acontecendo que merece ser visto: a vida está passando, e muitos estão apenas assistindo pela câmera do próprio celular (quem nunca foi ao show e viu uma infinidade de pessoas gravando?).
Talvez a pergunta seja simples e valha para todos nós:
👉 Estamos curtindo ou apenas registrando? Estamos resolvendo coisas que poderiam ser feitas depois?
👉 Estamos juntos ou apenas coexistindo lado a lado, conectados com o mundo e desconectados de quem está na nossa frente?
Fica a reflexão — e o convite para, de vez em quando, guardar o celular no bolso e voltar para o mundo que existe fora da tela. Eu tenho me esforçado para usar cada vez de forma mais RACIONAL, olhar o mundo offline (aliás, não postei fotos da viagem…. mas foi demais 🙂
O mundo real está lá. Esperando por nós. E você? Como tem praticado essa desconexão em sua vida diária?
“A vida é um pedacinho de tempo que se despede de nós todos os dias”


