Por Dr. Luiz A. Gil Jr – Geriatra
Hoje meu nono faria 106 anos. E minha nona, 105… há poucos dias.
Curiosamente, hoje atendi um paciente nascido em 1925 e fiquei pensando:
quantas mudanças cabem dentro de uma vida?
Essas pessoas viram o mundo sair do rádio para a inteligência artificial.
Atravessaram guerras, transformações sociais, avanços da medicina que mudaram completamente o destino de gerações.
E, ainda assim, o que mais marca não são os grandes eventos históricos. São os pequenos detalhes do dia a dia.
As histórias contadas à mesa.
Os VALORES transmitidos sem discurso. A presença.
Tenho muita gratidão por ter convivido com meus avós.
Eles moldaram quem eu sou — como pessoa e como geriatra.
Porque a geriatria não se aprende só nos livros.
Ela se aprende vivendo o envelhecimento de perto, com nome, história e afeto.
Hoje, ao ouvir aquele paciente de 1925, não vi apenas um prontuário.
Vi alguém que carrega um século de experiências — algo que nenhum exame consegue medir.
E me veio uma pergunta inevitável:
💭 O que será de nós em 2100?
E como seremos lembrados pelas próximas gerações?
Nem todos conseguem valorizar a presença dos mais velhos enquanto ainda há tempo.
Mas quem vive isso, sabe.
Como dizia minha nona, com aquele brilho nos olhos:
✨ “Incrivi!!!!”
E talvez seja exatamente isso:
o envelhecimento, quando bem vivido — e bem acompanhado — é mesmo algo… incrível.
💬 E você? Teve (ou tem) alguém na sua vida que te ensinou o valor do tempo? Tem alguém pra celebrar a presença?? Saudades….


